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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Tô solteiro(a), e agora?

Um dos maiores dilemas do fim de um relacionamento é como sobreviver após o término. Todas as músicas do Spotify trazem uma memória, todos os bares da cidade tem uma história em comum e todos os amigos parecem trocar de assunto pra evitar te falar que o seu ex amor está numa boa, mais magro e com uma pele ótima. Então, depois de levar o famoso pé na bunda, ao invés de ficar deitado na cama se sentindo muito revoltado com o mundo a melhor alternativa, por mais idiota que pareça, é distrair a mente com atividades prazerosas. A ideia não é se tornar um zumbi obcecado por felicidade e posts motivacionais nas redes sociais. O objetivo é fazer o seu cérebro reservar cada vez menos espaço para o assunto "término" e focar em outras coisas. Abaixo tem uma lista com algumas das centenas de atividades que podem ajudar nesse momento quase sempre regado a músicas do Safadão e pensamentos mórbidos.

Maratona de seriados
Sozinho, com amigos ou familiares. Maratonas de seriados sempre nos fazem entrar em um universo paralelo.
Quando o seriado tem uma trilha sonora ótima, personagens cativantes e uma narrativa empolante essa atividade fica ainda melhor.
Dicas:
- Aqui tem uma lista com várias séries
- Opte por seriados densos mas que não te façam morrer de chorar, ex: Breaking Bad e How to Get Away with Murder.
- Evite seriados que tenham um personagem principal muito parecido físico ou psicologicamente com o ex por motivos óbvios.

Descubra qual atividade física te dá prazer
Infelizmente checar o celular de 2 em 2 minutos pra saber se tem mensagem do ex não é atividade física.
Gastar dinheiro se matriculando na academia, comprando roupa fitness e potes de suplementos para desistir depois de duas semanas também não é a ideia mais inteligente.
O principal é descobrir qual atividade física vai te deixar feliz e vai te fazer querer voltar pra fazer aquela atividade. Pode ser alguma coisa que você fazia na infância ou uma atividade que você nunca fez e tem curiosidade.
Os benefícios em voltar a fazer exercícios físicos são enormes e o cansaço físico é uma mão na roda quando você não quer ficar pensando horas a fio naquela pessoa.
O EstudioPass é uma ótima alternativa pra você que morre de tédio de fazer toda semana a mesma atividade.

Evite fuxicar as redes sociais do ex
A curiosidade vai bater, isso é um fato. Você vai querer saber se ela engordou, se cortou o cabelo ou se está tão na bad quanto você mas, vamos ser francos, isso não muda nada. Se o relacionamento acabou ficar acompanhando a vida da pessoa não só vai te deixar pior como é uma tremenda perda de tempo. Uma ótima alternativa pra sempre que bater aquela pulga atrás da orelha pra fuxicar é acessar o TED Talks e ver uma das centenas de palestras formidáveis. Se você é preguiçoso tem até uma listinha com as 10 melhores.

Trilha sonora sem Safadão ou músicas do gênero
Determinados tipos de música foram feitas com os seguintes objetivos:
a) ser ouvida por quem está com dor de cotovelo E deixar essa pessoa ainda mais triste
b) ser ouvida por quem não está com dor de cotovelo E vai curtir a música numa boa
Se você se enquadra no objetivo A ouvir esse tipo de música obviamente é uma péssima ideia.

Não entre na vibe "sou a pessoa mais feliz do mundo!" nas redes sociais
Isso é um clássico. A pessoa termina o relacionamento e, magicamente, se torna a pessoa mais feliz do seu feed.
É piada, é gif animado ou música no estilo "sou praieiro , sou guerreiro, tô solteiro".
Veja bem, é óbvio que você não precisa tirar sua foto de perfil e colocar uma foto de "LUTO". Nessas horas é importante contar com o bom senso e o feedback dos seus amigos mais próximos para não se tornar aquele tipo de pessoa desesperada em mostrar uma felicidade que não existe.

Cinema, teatro, barzinho
Qualquer um desses programas com amigos se torna uma excelente alternativa mas ir sozinho também é uma excelente opção.
O importante é distrair, curtir o momento
Dica:
- SE beber entregue o celular para alguém que te ama ou desligue o aparelho para evitar enviar mensagens para o ex.
- SE ainda assim você enviar alguma mensagem no dia seguinte envie uma mensagem no estilo "Enviei por engano, pode desconsiderar. Bjs" e siga em frente.

Obviamente não tem fórmula mágica mas alternativas para sair da bad não faltam. O importante é encerrar o ciclo e seguir em frente ao invés de ficar remoendo uma história que já chegou ao fim. Por mais clichê que pareça pé na bunda nunca matou ninguém, você não vai ser o primeiro :)

domingo, 8 de maio de 2016

Justo

Música sugerida para leitura: Gragoatá - Passarinho

Eu vou sentir falta da forma como você me segura pela cintura. De como você olha pra baixo pra me encarar e parece o homem mais alto do mundo. Saudade da sua risada gostosa mesmo quando o filme é uma droga. Da sua mania de enrolar o cabelo. Do sorriso preguiçoso quando acorda. Do olhar seguro de si e ingênuo ao mesmo tempo. Saudade de mandar links avulsos ou sugerir um livro. Saudade das suas mordidas. Das suas mãos. De tudo que eu perdi. De tudo que se foi e não volta. Saudade de você. De nós. Saudade de um amigo. Saudade de te olhar. De reclamar do seu signo e de te ouvir falar dos seus projetos com um brilho único no olhar. Saudade de você. Saudade da intimidade, do carinho e da sua defesa ferrenha a favor de cadernos sem pauta, pipoca com manteiga e açaí mais barato.  Eu perdi você. Você ganhou o mundo. Parece justo.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Desvendar

Você ainda não sabe mas tem muita coisa esquisita a meu respeito. Por exemplo, só coloco o volume da televisão em números pares. Quando sento em 90% das cadeiras  meus pés não alcançam o chão graças ao meu um metro e meio de altura. Recentemente troquei energético por café e me surpreendi com aquele calor no peito que um bom capuccino me proporciona. Já derrubei meu telefone uma centena de vezes e quase tive um ataque cardíaco em cada uma delas. Amo crianças e cachorros, aquele tipo bem tosco de pessoa que automaticamente muda a voz quando vê um e começa a tentar ganhar a atenção. Sou pouco sociável antes do almoço mas lá para uma da tarde já estou pronta para qualquer papo. Minhas roupas são predominante pretas mas não se deixe enganar por isso, escuto SOAD e Wesley Safadão no intervalo de 2 minutos achando o máximo. Durmo com vários travesseiros e jamais cogitaria dormir de conchinha com alguém, gosto de espaço pra dormir e carinho quando acordar. Não consigo ir a praia e não comer empada. Amo pão de alho (com creme de cebola) e macarrão. Não sei fritar um ovo mas sempre encontro bons lugares para comer. Sou uma leitora compulsiva e escrevo sempre que tenho tempo. Todo mundo diz que sou um pouco invocada mas não precisa se preocupar, eu não mordo.

Tem um milhão de coisas inúteis sobre mim que ninguém sabe. É exatamente essa a graça de conhecer alguém: mergulhar em um universo paralelo e descobrir um milhão de coisas interessantes. O mistério de desvendar alguém e descobrir que a felicidade pode ser compartilhada.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Carta aberta ao presente

Eu sei que a fase não é das melhores e que as vezes o arrependimento quer te engolir mas vamos com calma. Você já passou por isso uma dezena de vezes, foi assim em todas elas e será assim muitas outras vezes. Essa é a magia do recomeço! É quando o tempo e o destino vão juntos te guiando para um lugar mais bonito. Eu sei que você está buscando felicidades instantâneas que duram só algumas horas. Eu te conheço. Sei também que essas felicidades evaporam assim que você coloca a cabeça no travesseiro. Sei também que você está evitando o travesseiro. Foi assim antes, lembra? Será assim agora mas já vai passar. 

O arrependimento é seu fiel companheiro. Por ter errado, por não ter saído na hora certa, por levar um fora merecidamente, por perceber que sua intuição sempre te disse a verdade mas seu coração nunca quis acreditar. É péssimo mas faz parte. Esse sentimento vai passar. Eu sei que você tá meditando, tá estudando, tá procurando qualquer alternativa que expulse esse sentimento. É como comer uma feijoada e depois precisar tomar alguma coisa pra digestão. A indigestão emocional sempre faz parte da vida daqueles que se entregam de verdade.

E você foi verdade. Por mais que digam o contrário você foi inteira. Infelizmente tem gente que só vem metade e se ofende quando encontra algo diferente. Você não errou. Você amou demais, quis demais, se entregou demais mas isso nunca será um erro. Isso é o que a gente precisa fazer pra ser feliz: se entregar. Eu sei que agora você está numa fase mais sozinha mas tenho certeza que a centelha ainda está aí. Pode demorar um tempo até você jogar tudo para o algo, bater no peito e dizer: to pronta pra arriscar tudo outra vez! 

Quando esse novo ciclo iniciar não tenha medo ou vergonha. Seja feliz da forma que escolher mesmo quando te julgarem. Confie, abrace, entregue-se. Pode ser que não termine bem outra vez. Pode ser que seja a melhor experiência da sua vida. Vale correr o risco.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Sobre Fotos na Balada

Adoro música acima de qualquer coisa, tenho minha quantidade de roupas justas e decotadas e por questões do destino não posso sair sem salto alto de casa com o risco de ser levada de volta para algum colégio do ensino fundamental. Mas você sempre entendeu essas minhas neuras. Entendia também o meu pânico daquelas fotos de baladas que reúnem em um mesmo ângulo 
a) periguete com a barriguinha fofa de fora
b) bêbado com olho vermelho
c) aquele casal agarrado que não vai durar 5 dias úteis

Você sabia que acima de todos esses itens o que mais me irritava era a falsa sensação de felicidade. Por que eu mais do que ninguém entendo que ir pra uma festa ou balada é libertador, que é legal, divertido, animado mas qual é o plugin que as pessoas usam pra ficar feliz assim do nada? Álcool? Tudo bem, mas qual a dose? Você sempre me falava que eu estava invejando aquelas pessoas e eu ficava tão irritada com isso. No fundo você gostava tanto quanto eu do aconchego de ficar em casa, na cama, vendo televisão e comento aquelas balinhas maravilhosas com formato de dentadura. Isso sim era felicidade! E quando a gente descobria uma maratona de Matrix?! 

E hoje eu vi uma dessas fotos no Facebook. Uma loira esquisita com um piercing da playboy com um cordão que chegava quase na coxa, um menino totalmente avulso com uma plaquinha de "mamãe que fez" e um casal dando um beijo 'apaixonado' mais sem sal que salada de rúcula. Eu vi isso tudo e só consegui pensar que adoraria te enviar essa foto e ouvir você me chamar de invejosa.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Sobre Sonhar

São 3 da manhã e eu estou deitada na minha cama com o ar condicionado ligado e morrendo de frio pensando em como seria a minha vida se você deixasse de ter tanto medo. Consigo ver você entrando pela porta depois de um dia de trabalho, jogando a mochila em cima do sofá e abrindo a geladeira pra puxar um copo de água. Você combina com o sofá e eu não me importaria se você ligasse a televisão pra trocar de canal até cair em um desses documentários inúteis. Eu consigo imaginar você depois de uma ducha gelada, buscando alguma coisa na geladeira antes de desistir de fugir de mim e ir me encontrar provavelmente lendo ou escrevendo. Eu acho que te daria um beijo sem graça e implicaria com você mas na verdade eu faço isso só pra não bancar a garotinha idiota toda vez que te vejo. Não seria muito apropriado bancar a boba toda vez que você aparecesse na minha frente. Acho que é a a forma como você sorri, o jeito que o seu cabelo fica e a forma com seu abraço me faz sentir em paz. Tem também a carinha feliz que você faz quando beijo sua bochecha e a forma como seus olhos brilham quando falo alguma coisa imprópria. Acho que no fundo eu gosto de você por me aceitar exatamente como sou, saber que não sou moldada como tantas outras, que meu humor é ácido, minha personalidade  é irritante e que amo ter razão. Você não sabe mas eu não tenho medo de barata, consigo abrir garrafas sem a ajuda de ninguém e considero que filmes de conteúdo adulto devem ser visto em dupla. Isso me fez lembrar da minha cama. Acho que você combina com ela também, assim como combina comigo e com meu péssimo humor matutino. Você provavelmente me largaria, já que tem essa mania chata de começar o dia cedo, mas só de te imaginar cozinhando eu te desculpo por isso. Você combinaria com a cozinha. Dá pra imaginar você me acordando lá para o início da tarde querendo saber os planos para o dia e me tirando da cama com cócegas e um sorriso de idiota no rosto. Você combina com cada uma das minhas fantasias melosas exceto por um detalhe: você tem muita coragem pra enfrentar o mundo inteiro mas jamais teria coragem pra assumir o que temos. 

sexta-feira, 28 de março de 2014

Culpadas


Link com a matéria completa aqui. 

                  Pois vivemos em uma sociedade que ama os corpos nus exibidos no carnaval, aprecia um comercial de cerveja com loiras incríveis e possui um vício sem fim por filmes e sites de conteúdo adulto. Uma sociedade que detestaria ver uma mãe, filha ou irmã sendo vítima de qualquer tipo de abuso porém quando vê uma mulher indefesa precisando de ajuda vira para outro lado. Sociedade essa que quando ouve que uma mulher foi vítima de estupro faz, antes de qualquer outra pergunta, o que ela estava vestindo. Se era uma roupa curta, justa ou decotada está justificado e até mesmo perdoado, comentários como "deveria estar com roupas mais comportadas" ou "se fosse uma mulher de família não passaria por isso". É muito mais fácil culpar a mulher desde os primórdios, nossa culpa por "seduzir" esses pobres homens que não tem capacidade de conquistar uma mulher de verdade e precisam utilizar de violência para conseguir uma boa transa. Pobres homens que machucam mulheres com "roupas vulgares" pois não conseguem resistir a um belo decote, pobres homens, realmente é muito difícil ser humano, civilizado e com cérebro diante de um par de seios perfeitos. As mulheres, certamente culpadas, que deveriam rever seus conceitos e trajar, quem sabe, uma burca ou um cinto de castidade. A mesma sociedade que impõe que você seja linda, loira, magra, alta e consuma energético, shake de proteína e bebidas com 0 calorias impõe que você precisa esconder isso tudo quando vai trabalhar, estudar ou viver. Nada de saias, nada de decotes, nem sonhe com vestidos! Caso contrário se alguém resolver te atacar na rua como um animal no cio a culpa será sua por seduzir os pobres e inocentes homens, coitados vítimas do nosso sex appeal. Poderíamos até ser acusadas de bruxaria e sabemos bem quantas mulheres consideradas bruxas foram mortas na história da humanidade. Se depender dessa doce sociedade seremos eternamente culpadas por tudo.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Sobre Se Entregar

Nunca fui o tipo de mulher que entra na água do mar e diz "não vou molhar o cabelo". Simplesmente não consigo, se entro na água, mar, lagoa, piscina eu preciso molhar o cabelo. É um detalhe ridículo mas no fundo diz muito sobre minha personalidade. Faço exatamente a mesma coisa para tudo na minha vida: mergulho de cabeça. Pode dar errado, pode sair torto e pode até não valer a pena. Mas quando decido tentar algo é por inteiro. Detesto gente que decide fazer algo mas morre de medo de fracassar ou assinar atestado  de ridículo. Eu não me importo muito em fazer feio mas me incomoda muito não fazer. Sou aquele tipo de pessoa que se você diz "duvido você conseguir" vou levar para o lado pessoal e vou fazer o possível pra esfregar na cara de quem for que eu consigo. Pode não sair lindo mas vai sair de algum forma.

O que mais vejo por aí é adulto com medo de ser um pouco criança e errar, fazer M e tentar outra vez. De bobo e tosco todo mundo tem um pouco. Podemos ser adultos bem resolvidos brincando na areia e tentando fazer cambalhotas ridículas na praia.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Sobre Caras


Playlist: Por Enquanto - Cássia Eller

O cara #1
Ele sempre me obrigava a assistir Jornal Nacional enquanto eu comia caldo de feijão com arroz por ser uma criança chata e sem limites que não gostava de nada que tinha no jantar. Ele era o primeiro a aparecer sempre que eu ralava o joelho e a frequência disso era tão ridícula que me surpreende ainda ter dois joelhos funcionando. Ele colocava merthiolate nos meus machucados e sempre me engava que só ardia um pouquinho quando na verdade eu me sentia nos Jogos Mortais Infantis. Ele usava um óculos na ponta do nariz e me fazia pensar "por que raios esse óculos fica aí?". Ele gostava de ver esses programas policias chatos pra caramba e sempre soltava uma pérola enquanto uma tragédia estava sendo exibida. Ele não era muito de abraços, família italiana, reservado, poucas palavras, mas sempre que me abraçava eu me sentia protegida do mundo inteiro. Muita gente sempre questionou a minha personalidade calada e muita séria e eu sempre soube que era dele, aquele tipo de olhar que diz "sou muito legal pra perder meu tempo te convencendo disso". Eu amava escrever aquelas cartinhas que criança adora, com toneladas de glitter e cinco mil adesivos, só pra ele elogiar a minha letra e dizer que tinha gostado. Eu lembro que ele lia os jornais todos os dias e quando eu estava de férias eu acordava cedo só pra ver desenho animado enquanto ele fazia as palavras-cruzadas e roubava vendo as respostas. Eu não lembro dele ter gritado comigo ou me mandado fazer alguma coisa, eu não faço ideia da onde ele tirava tanta calma e paciência pra lidar com tudo. Eu amava sentar pra jantar com ele mesmo quando a comida era aquela sopa de legumes horrenda que era amarela e tinha uma textura horrível. Até hoje eu tenho mania  de comer sopa com torrada graças a ele. Também tenho mania de ficar na minha e ler enquanto os problemas precisam ser esquecidos um pouco. Mas a minha maior mania sempre foi não conseguir imaginar minha vida sem vê-lo sentado no sofá enquanto via televisão.

O cara #2
Tinha horas que eu queria matá-lo, pela personalidade tão parecida com a minha e pela mania que ele tinha de sempre estar certo. Detestava a forma como ele gostava de impor suas vontades de uma maneira gentil e todo mundo aceitava tudo na boa. Eu lembro de todas as tardes na praia falando sobre nada e reclamando da vida, de quando ele dizia "deixa de ser chorona" e me abraçava como se eu fosse a coisa mais importante do mundo. Nada no mundo pagaria o amor que ele me passava só com um olhar. Éramos 8 ou 80, gato e rato, completamente loucos um pelo outro. Ele sempre dizia que eu nunca encontraria o homem ideal pois eu sempre seria boa demais para qualquer homem. Dizia também que eu era chata, reclamona e pessimista mas depois me enchia de beijo e dizia que era genético. Ele sabia o quanto eu ficava emocionada quando recebia flores mesmo quando eu dizia pra todo mundo que odiava receber flores. Ele entendia todas as vezes que eu me afogava em lágrimas enquanto lia uma livro e me fazia carinho enquanto eu tentava me recompor. Ele me entendia independente de qualquer coisa.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Sobre Deixar de Ser

Escrito em outubro de 2013
Playlist: Nina Simone - Feeling Good

Provavelmente você nunca vai me ouvir falando com crianças com aquela voz irritante de garota marota que as pessoas utilizam apenas com bebês e animais de pequeno porte. Não me verá te ligando e dizendo "ei, preciso de você aqui pra me salvar da droga da minha vida" ou assistir minhas crises de choro quando tudo parece dar errado. Não vou correr atrás de você por motivos sérios ou questões de vida ou morte. Eu, que me tornei adulta cedo demais, toda aquela balela de Amélia deixada para trás, uma menininha de 1,50 com a capacidade de bater de frente com gente de qualquer tamanho e ainda manter uma expressão de "quem você pensa que é pra falar comigo?". Também não me verá assistindo novelas, lavando roupa ou lembrando da sua existência em um sábado agitado. Mas no fundo, bem lá no fundo, próximo ao rim, lembro de você. Mas sou independente demais pra deixar isso claro e assumir pra qualquer pessoa. Costumo lembrar de você em uma manhã de terça-feira chuvosa, no meio de uma corrida com ritmo forte ou no meio de um filme idiota que me faz lembrar de uma das suas idiotices. Certamente não sou daquelas mulheres pra casar, apresentar a família, passear no parque em um domingo ensolarado. Isso é entediante, é de uma pureza e de uma mesmice que me irrita. Posso querer isso do fundo do meu rim mas aqui na superfície deixo claro que não faço questão. Me liga em um dia qualquer, 5 semanas depois de fingir que não existo e pergunta "Hei, vamos fazer algo?". Pode ser que eu aceite, pode ser que outra pessoa já tenha substituído seu papel. Já falei que dispenso mesmice na minha vida? Detesto tudo que é pela metade. Meio interessante, meio arriscado, meio legal. Se é pra ser que seja inteiro e se é pra ficar que seja só enquanto for bom. Se é pra ir que seja de uma vez. Mas não espere meias verdades de mim, você sempre me terá 100% ou não terá nada.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Sobre Café Na Cama

A saudade é dos detalhes, dos pequenos momentos. De quando a chuva caía forte e a gente sentava pra assistir os raios, dos momentos que tudo parecia dar errado e a única solução era comprar um big mac com ovomaltine, as vezes que só um olhar conseguia transmitir uma dezena de sentimentos sem nenhuma palavra ser dita. Saudade da época que você sentia ciúmes de qualquer um, que vivia fazendo drama quando eu comentava que queria tomar outro rumo, quando me abraçava e dizia "você é a melhor do mundo". A saudade deriva da cumplicidade que tínhamos, das risadas fora de hora, do formato do rosto, do gosto musical sem pé nem cabeça, das lembranças bonitas e das feias também. Eu não apagaria nenhuma das nossas discussões, das palavras feias, do pote de palavrões lotado, das lágrimas. Tudo isso foi nos moldando, nos ensinando a ser melhor e a nos amar cada vez mais.

Hoje eu queria fazer seu café e cantar parabéns na cama enquanto você reclamava dos meus dotes culinários, queria te dar um abraço forte e deixar claro o tamanho do meu amor. Um amor que nunca vai deixar de existir.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Sobre Praias Vazias

E eu lembrei do dia que fomos para praia no final de uma tarde nublada. Ventava tanto e a gente ria por que tinha escolhido a pior hora do dia para curtir as ondas e você estava tremendo de frio enquanto tentava bancar o durão que não sentia frio. A gente jogou frescobol por um tempo e depois desistimos por que o vento só aumentava. Você reclamou por que eu queria tirar foto enquanto você queria carinho e eu reclamei que o sol estava indo embora e que deveríamos registrar aquele momento pra sempre. Então você me puxou e me abraçou forte e disse o "eu te amo" mais baixo e gentil do mundo enquanto me jogava na areia e me sujava toda. E eu ri e joguei areia em você. E me senti uma idiota e extremamente feliz por a praia estar vazia. Ninguém conseguiria entender o que a gente estava sentindo, e agora, olhando pra trás, eu entendo o quanto a gente era feliz e não fazia a menor ideia disso.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Sobre Medos

 Eu tenho muito medo de ficar sozinha em locais escuros, tenho medo de andar sozinha tarde da noite graças a segurança pública cada vez mais inexistente, tenho pavor de gente simpática demais e uma leve aversão a pessoas que falam me tocando sem necessidade. Há um tempo atrás eu poderia dizer que tinha medo da morte, mas desse aí eu já me livrei. Nunca tive medo de barata mas tenho pânico de lagartixa. Mas tem um medo que supera todos esses juntos: o medo de amar alguém de verdade. Vamos combinar que é simplesmente aterrorizante. Não estou falando de ficar, gostar, amassar, pegar e não se apegar. Estou falando de AMOR, em caixa alta mesmo, por que pra amar tem que ser assim, tem que assumir uma verdade simples: você não é mais seu. Quem ama de verdade se entrega de corpo e alma, pega todas as fichas e joga em um brinquedo só. E no fundo como lidar com esse medo? O medo de se entregar totalmente a alguém sem garantias, sem devolução. Não que isso seja piegas, amar é ótimo e ser correspondido é incrível, mas é cada vez mais raro. 

Em uma pesquisa totalmente avulsa feita em uma mesa de bar em uma terça: de um grupo de seis amigas cinco deixaram claro que "amar dá trabalho", mas o "amar dá medo" ficou subentendido. O medo não é de ser feliz, de ouvir músicas melosas e planejar o casamento depois do segundo encontro. O medo está na grande probabilidade de tudo dar errado. O medo está em você nunca mais esquecer (ou esquecer totalmente) o que aconteceu, de não superar. Isso dá medo. Muito. 

Cabe a cada um ver qual medo merece ser enfrentado. As vezes vale a pena... as vezes não.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Água com açúcar

De dez entre dez amigas que tenho todas elas definem a felicidade plena da mesma forma: um relacionamento tranquilo, com um cara bonitinho que tenha uma profissão relativamente boa e uma conta bancária realmente boa. Se malhar, for gente boa, engraçado, tiver paciência com criança e não beber?! Aí é da balada para o altar sem perder tempo. O grande problema é: o bonitinho água com açúcar perde a graça muito facilmente. As piadas não são tão boas depois dos 3 meses, a visão de futuro baseada em um apartamento dos fundos de um bairro não tão tranquilo deixa de ser considerado fofo, a música do Pixote que ele dizia traduzir a relação de vocês passa a causar acesso de raiva e, o pior de tudo isso, entre quatro paredes o tédio é garantido.

A bonita se vê presa em um relacionamento que não veio embalado pra presente como as novelas/filmes/livros/músicas do Pixote narram e passa a empurrar aquilo tudo com a barriga. Bem, nesse tipo de situação temos um questionamento simples:

1. Imagine a sua vida 3 anos à frente.
2. O gato apareceu na viagem no tempo?

Se a resposta for um enorme e redondo NÃO é bem simples o que deve ser feito: procure o próximo bonitinho com açúcar nas baladas/academias/universidades mais próximas. Agora, se a resposta foi um SIM esperançoso  cabe a você sentar com o fofo e tentar entender o que pode ser melhorado no relacionamento, o que o incomoda, como ele sente. De livre e espontânea vontade ele não vai te chamar pra esse tipo de papo, então cabe a você correr atrás do que vai te deixar bem. O que não é válido é seguir vivendo na água com açúcar eterna e depois olhar para os anos perdidos e ficar se lamentando.

Sim, tenho trauma com o Pixote.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Um mantra

E ela continuava se perguntando: por quê ela? Por quê os dois? Ela que já tinha desistido de tentar depois de tantas experiências. Ela que não gostava da ideia de desperdiçar momentos da sua vida em relações sem fundamentos. Que deixava para viver apenas os romances dos seus livros e se entregava apenas o suficiente para se manter distante quando tudo acabasse. Ela usava um mantra que dizia "não se apegue" e mentalmente listava todas as razões do mundo para aquilo não terminar bem. Ela aos poucos foi entendo que seu maior erro era ainda acreditar que estava distante quando, na verdade, já estava envolvida além da conta.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O "era" no lugar do "é'

Justamente aquela música idiota que te remete a um passado repleto de coisas simples, sorrisos simples e motivos simples para ser feliz com tão pouco. Como aquele dia na praia que você me sujou toda de areia e depois correu rindo sem a menor pena de me fazer de idiota. Ou quando você me leva para o mar e entende perfeitamente que eu nunca vou conseguir ficar sozinha mesmo estando com os pés plantados no chão. Teve também os telefonemas de horas que tratavam da política nacional até o corte de cabelo da professora de química. Os planos feitos ao cair do sol naquela praia com ventos absurdos que só me faziam me aproximar ainda mais de você e te abraçar forte. Os seus braços, os seus olhos e o seu sorriso de menino que eram capazes de me fazer derreter, mesmo isso parecendo ser brega, era a verdade. O complicado é exatamente isso, o "era" no lugar do "é'.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Trago seu amor em 7 dias!


Não há desespero maior que apelar para santos, rezas, curandeiras, galinha preta ou qualquer coisa do gênero para ter alguém de volta. Pra começo de papo: se o Seu Amor  foi é por que já era hora. Pra que investir mais horas no telefone, mais sms na madrugada, mais DR's? Vai curtir o fim de tarde com uma cerveja com os amigos, jogar uma bola, correr na praia, ouvir uma música, conhecer uma boate nova. Vai viver!

Seu Amor  já deve estar em outra enquanto você perde seu tempo correndo atrás do que já passou. Pra que olhar pra trás e repetir os mesmos erros? Dar uma segunda chance por medo de arriscar, de olhar para frente, de se jogar sem medo do que vai encontrar. Existem milhares de amores por aí e embora muita gente reclame que nunca encontrou a cara metade é por que nunca parou para olhar realmente. Aquele vizinho que te dá bom dia, aquela senhora que sempre toma café no mesmo lugar que você, aquele carinha da livraria, a tchutchuca da academia. Basta olhar em volta para perceber que no fundo todo mundo é sozinho, todo mundo está tão solitário quanto você. A solidão bate na porta de qualquer um.

Então deixa pra lá o amor antigo que já passou da validade, busque algo que acabou de sair do forno, quentinho e perfeito para derreter todos os seus clichês românticos. E daí que o Amor Antigo era bom de cama, cavalheiro e não fumante. O Novo Amor  pode ter uns quilos a mais, gostar de pagode e não fazer ideia de quem é Djavan, mas e daí? Relaxe e tente entender que não existe relações perfeitas e parceiros ideais. Existem pessoas que se conheceram na hora certa e deram espaço para esses defeitos, impedindo que eles impactassem a felicidade que era descobrir e viver um Novo Amor.

Traga você mesmo Seu Amor  todos os dias da sua vida. Se ame, curta a vida e espere. Uma hora o amor vem. Sempre vem.

domingo, 11 de setembro de 2011

Incoerências Amorosas

O amor deveria vir com uma bula informando todas as possíveis consquências desastrosas.

- Causa insônia.
- Distúrbios alimentares em bares, restaurantes e cinemas.
- Crises cardíacas a cada sms enviada.
- Mãos suadas.
- Linha de raciocínio interrompida após um beijo.
- Perda dos sentidos ao ouvir palavras carinhosas.

Entre tantas outras contra indicações. Por que no fundo o amor dói. Na verdade o que dói é o fim dele. É quando você precisa tirá-lo do peito e esbravejar para sua própria consciência "NÃO VAI MAIS DAR CERTO!". E isso é responsável pela aquela dor no peito que cardiologista nenhum no mundo seria capaz de curar, é um bolo no estômago insolúvel, é aquele sentimento de vazio que ninguém no mundo consegue preencher. E nessas horas a música depressiva ajuda, os filmes românticos, os livros... O universo conspira para as lágrimas e a dor, a dor de quem se foi e levou com ela todo o amor que existia.

Mas não adianta querer pular essa fase, não adianta bancar a independente que esqueceu da noite para o dia, na verdade você só vai parecer desesperada. Se permita curtir a tristeza, sentir o que tem que ser sentido, fechar o ciclo. Grite para sua consciência "O MUNDO NÃO EXPLODIU!" e acredite que em algum momento a dor vai dar lugar a saudade e o tempo vai ser capaz de te ajudar a seguir em frente.

E aí, bem... aí vem um outro amor. Mas aí você já vai ter esquecido das consquências desastrosas, do fim do mundo, das músicas depressivas...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Acaso

Algumas coisas acontecem assim, meio do nada, sem qualquer propósito e acabam mudando tanta coisa ao nosso redor. Um gesto simples, um sorrio tímido, um 'bom dia' gentil. Pode ser uma coisa simples mesmo, nada carnavalesco ou para o mundo ver, algo íntimo, alguma declaração ou segredo compartilhado. E é sempre tão bom olhar para o lado e não se sentir só e ao mesmo tempo se sentir livre. Talvez seja incoerente querer 'ser' mas não querer 'estar para o resto da vida até que a morte nos separe' mas são coisas tão distintas.

Talvez hoje eu precisasse de um abraço aperto, de um colo de amiga, de alguma palavra reconfortante do tipo 'vai dar tudo certo'. Mas eu me saí bem sem isso, melhor, me saí mais forte e com certeza mais madura. Essa mania de guardar os sentimentos nem sempre é uma boa ideia, mas tem suas vantagens. E mesmo sem receber qualquer apoio direto algumas coisas aconteceram e me peguei sorrindo, feliz.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Amores




 Há dois tipos de amores: Amores Perfeitos e Amores Verdadeiros.  Embora aparentem ser a mesma coisa são como terra e água, opostos como polaridades de um imã.

O amor perfeito chega a cavalo (e tem que ser branco, se não nem tente!), precisa ter como cenário uma linda praia paradisíaca aonde o azul reine. A trilha sonora também é importante, tem que ser melosa, carregada de blábláblá sentimental, pingando mel. E nem penso e erro de percurso ou em falha qualquer, deus nos livre! Amor perfeito tem que fazer jus ao nome, nem um grão de areia fora do lugar.

O amor verdadeiro é mas modesto, chega lentamente, sem fogos de artifício e pode até nem ser percebido de cara. Ele pode surgir no pátio de uma escola ao meio-dia, com o sol escaldante amenizado pela sombra de uma árvore. Uma frase tola, um sorriso torto um cabelo despenteado, tudo fora do lugar. Não há perfeição no comum e ao mesmo tempo ele é divino. Esse amor não obriga frases clichês, não, ele prefere piadas, sarcasmos e verdades.

O amor perfeito habita o sonho de adolescentes e usa o “para sempre” como lema. Não aceita mudança de rotas, não aceita o imperfeito. Defeitos? O perfeito desconhece essa palavra. Nada de programa com terceiros, nem pense em usar roupa provocante, não coma leite com manga, não olhe para o lado, não tome banho de chuva, respire mas não puxe tanto ar. O perfeito precisa de controle, melhor, precisa de militarismo.

O amor verdadeiro começa a ser desejado quando se ganha maturidade e seu tema é “viver”, com letras garrafais. O verdadeiro não se molda, ele é real! Faz programas diferentes, tem personalidade, as vezes precisa ficar só, provoca ciúmes, esquece datas especiais. Ele é humano oras. Agora tente a essas humanidades estapafúrdias aos olhos do perfeito.

Perfeito esse que não aceita o “eu preciso de um tempo sozinho”. Nunca! Morte na certa. Perfeito fica junto em tempo integral, siameses separados. Vai que em alguma esquina o outro se depara com alguém imperfeito? Perfeitos são bons em muitas coisas mas detestam concorrência.

Verdadeiros tem um sentimento diferente de posse, algo pior que o ciúme. E ele é cruel, dilacera, arranca pedaço como uma grande boca imaginária. É uma falta de ar que aparece toda vez que o outro se mostra interessado demais por outro alguém. Ou não mostre, o ciúme geralmente é cego e surdo, nunca mudo.

O perfeito não discute, não há por que. A relação segue um script, uma dança ensaiada, cada passo perfeitamente treinado. Pra que DR’s que não levam a lugar algum? Já os verdadeiros são tolos, coitados, querem por em palavras a angustia que esmaga o peito. Nem sempre conseguem se fazer entender, na verdade, nunca conseguem. Verdadeiro discute até não ter voz, grita, bate o pé e chora. E quando chora é acolhido pelo outro, dão um abraço apertado e se sentem tolos por tanta confusão por nada. Se perdoam mesmo sabendo que outras discussões virão, mas pra que se preocupar com o amanhã? Por hoje chega meu bem.

Perfeitos dizem “eu te amo” como um mantra. Está estampado em letras fonte 72, cor vermelha e piscando no perfil da rede social. E quer isso, quer gritar ao mundo como é perfeito, caso contrário qual a graça de ser o tal? O verdadeiro, como disse no inicio, é mais discreto. Manda um beijo escondido, sorri com os olhos, dá a mão de forma gentil, fala ao pé do ouvido “estou aqui, conta comigo”. Não precisa de anuncio no Jornal Nacional, o verdadeiro só quer esse sentimento entre quatro paredes.

Já as quatro paredes do perfeito são espelhadas. Todos precisam saber do desempenho sexual perfeito nos mínimos detalhes. Pra que privacidade quando ser elogiado e desejado é mais lucrativo? Tímidos o verdadeiro prefere deixar sob os lençóis as marcas da noite de amor, sem alarde, sem elogios distribuídos ao vento. Quem estava lá sabe.

Perfeito sonha com véu e grinalda, casa de praia, casa de campo, carro do ano, filhos lindos, perfeitos. Nada pode sair do script. Já o verdadeiro sonha com saúde, uma condição bacana, filhos felizes, sorriso no rosto. Coisas banais que perfeito nenhum entenderia. 

Perfeito deseja o outro com sede, com ânsia de tê-lo ao lado para manter a pose de casal feliz. Esse tipo de amor pode durar um encontro, um mês, um ano, até uma vida inteira mas no final, ao olhar para trás se vê um grande vazio. Tanto tempo juntando o que? Fotos perfeitas e sorrisos forçados? Para o perfeito isso que importa, a aparência de que tudo está correndo exatamente como deveria. E qual o problema de ser apenas uma fantasia? Fingem um grande carnaval que não termina na quarta de cinzas.

Verdadeiro vive cada dia como se fosse o último pois sabe que logo na frente o destino pode mudar de ideia. Traga a relação com um vicio doentio, quer absorver todos os momentos juntos e felizes, quer fechar cada acontecimento em um grande baú sentimental. E daí que briguem como cão e gato? E daí que só estão juntos há três meses, cinco anos ou dois dias? São sentimentos de verdade, palpáveis, entregues.

Perfeito sabe bem sobre o outro perfeito, sabe o time, peso, altura, cor preferia, trauma de infância, banda predileta, prato que gosta, cor dos olhos, nome completo, signo. Verdadeiro sabe isso e muito mais, sabe da cicatriz na barriga causada por uma arte, sabe do motivo do outro ser tão quieto, compartilha a paixão por praia, sabe sobre a mania de ir até o terraço para assistir os raios caindo, conhece cada defeito mas sempre se surpreende com uma nova qualidade. 

Verdadeiro sabe que perfeição de mais enjoa e que seguir receitas de revistas para relacionamentos darem certo é pura bobagem, tem que botar a mão na massa, errar, acertar, encontrar o ponto. Não que um dia a perfeição vá chegar, desista disso. Mas dessa forma a vida faz mais sentido, a tentativa de fazer dar certo mesmo com todos os erros. No final o perfeito sempre sente inveja da verdade de ser quem realmente se é.

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E tudo isso foi só pra dizer o quanto eu te amo, meu verdadeiro amor. Que não faço ideia de como seria a minha vida sem você alegrando meus dias e me fazendo acreditar que tudo vai ficar bem. Obrigado por ser exatamente tudo que eu preciso, sem tirar nem por, você foi manipulado para atender todas as minhas necessidades. Obrigado por esses braços grandes capazes de me envolver, por essa boca linda capaz de me fazer perder o ar, por esses olhos brilhantes que transbordam verdades, obrigado por esse coração gigante que sempre está aberto pra mim. Eu te amo meu anjo, que essa meia década seja só o começo.